Maestro Eduardo Pereira, Coordenador de Arte e Cultura da FADI, recebe o Título de Cidadão Sorocabano

Câmara Municipal homenageia o Coordenador de Arte e Cultura da FADI, Maestro do Coro da FADI e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica de Sorocaba

A Câmara Municipal de Sorocaba concedeu, em sessão solene, o Título de Cidadão Sorocabano ao Maestro Eduardo Pereira, Coordenador de Arte e Cultura da Faculdade de Direito de Sorocaba (FADI), Maestro do Coro da FADI e Diretor Artístico e Regente da Orquestra Sinfônica de Sorocaba. A honraria foi proposta pelos Vereadores Pr. Luís Santos, Presidente da Câmara, e Ítalo Moreira.

O Título de Cidadania Sorocabana é reservado às pessoas não naturais de Sorocaba e concedido àquelas que se distinguem por sua ação comprovada nos diversos campos do saber ou das atividades humanas, tendo atuado em benefício do município. A homenagem reconhece, assim, mais de uma década de dedicação do maestro à vida cultural da cidade.

A FADI foi representada na mesa de honra da sessão solene pelo seu Diretor Acadêmico, Dr. Gustavo dos Reis Gazzola, que tem conduzido a instituição com a compreensão de que não basta formar operadores do direito – é preciso pensar em uma formação humana mais ampla e integral. Dessa visão nasceram o Coro da FADI, a Bateria Acadêmica e a Coordenação de Arte e Cultura, hoje sob a liderança do homenageado.

Em uma noite emocionante, os coralistas do Coro da FADI fizeram o canto do Hino Nacional em apresentação especial, sob a regência do próprio Maestro Eduardo Pereira — um momento de forte simbolismo, em que o homenageado conduziu aqueles a quem dedica parte de seu trabalho.

O pronunciamento do homenageado

Em momento de muita emoção, o Maestro Eduardo Pereira pronunciou seu discurso de agradecimento. Confira os principais trechos:

Sobre o significado do título

“Receber da Câmara Municipal de Sorocaba o título de cidadão sorocabano é, sem dúvida, uma grande honra, especialmente por tudo que esta cidade representa na minha vida. Embora este título seja concedido a um cidadão, faço questão de recebê-lo não como um reconhecimento individual, mas como resultado de um trabalho coletivo construído ao lado de muitas pessoas e instituições com as quais eu tenho privilégio de conviver e trabalhar.”

“Eu não nasci em Sorocaba, mas hoje esta cidade faz parte de quem eu sou, e é com muita alegria, orgulho e gratidão que recebo o privilégio de ser oficialmente um cidadão sorocabano.”

Da fanfarra à Unicamp: a arte como oportunidade

Filho de um comerciante e de uma empregada doméstica, nascido e criado no bairro de Jordanópolis, no extremo sul da capital, o maestro começou a estudar música aos 7 anos, em uma fanfarra de escola pública do seu bairro. Não precisou pagar mensalidade, comprar instrumento nem sair da comunidade: “A música chegou até mim gratuitamente por meio de uma fanfarra de uma escola pública e do trabalho de um professor que acreditava na importância da arte para as crianças daquela comunidade.”

Aos 15 anos, recebeu do mesmo maestro a responsabilidade de reger outra fanfarra – seu primeiro trabalho remunerado na música. Mais tarde, por meio da música, conquistou bolsas de estudo até chegar ao mestrado e ao doutorado na Unicamp, sendo o primeiro de toda a família a conquistar esses títulos.

“O talento e a capacidade de aprender não são privilégios de uma pequena classe social; o que nem sempre está ao alcance de todos são as oportunidades para desenvolvê-los.”

Sorocaba como lar

O maestro recordou sua chegada à cidade em 2015, para conhecer o maestro Eduardo Ostergreen, então regente da Orquestra Sinfônica de Sorocaba. Dessa relação de aprendizado e confiança nasceu, em 2021, o convite para dar continuidade ao trabalho à frente da orquestra, que assumiu em janeiro de 2022.

Mas, segundo ele, a maior razão para agradecer a Sorocaba não está em cargos ou concertos:

“Se hoje tenho tantas razões para agradecer a Sorocaba, a maior delas certamente não está em nenhum cargo que ocupei, em nenhum concerto que regi ou em qualquer conquista profissional, mas na família que tenho a felicidade de construir e compartilhar com você. A música me trouxe até Sorocaba, mas foi a nossa família que fez dessa cidade o nosso lar.”

O maestro mencionou a esposa Maira Melo, as filhas gêmeas Alice e Sofia e a pequena Clara, nascida em Sorocaba em agosto de 2024: “Hoje estou recebendo o título de cidadão sorocabano, e a Clarinha já nasceu cidadã sorocabana.”

A arte como direito

Representando a Orquestra Sinfônica de Sorocaba junto à FUNDEC, a Banda Sinfônica do Exército Brasileiro e a FADI, o maestro defendeu o papel transformador da cultura:

“Uma vida digna não se resume ao acesso à comida, à moradia, à educação ou à saúde; precisamos também daquilo que alimenta o espírito, que nos dá identidade, nos permite compreender o mundo e expressar quem somos. O acesso à arte e à cultura não é um luxo ou privilégio, é um direito.”

Sobre a FADI, destacou uma instituição com quase sete décadas de história que compreende a necessidade de uma formação humana integral, e reconheceu o trabalho do Diretor Dr. Gustavo dos Reis Gazzola à frente desse processo.

O discurso também lembrou a dívida histórica das bandas e filarmônicas com a população negra: “Como filho de negro, não posso esquecer que esta história está profundamente ligada à participação dos negros escravizados e de seus descendentes, para os quais a música foi uma das poucas possibilidades de ascensão social em uma sociedade desigual.”

Agradecimentos especiais

O maestro agradeceu aos vereadores Ítalo Moreira e Pr. Luís Santos pela homenagem e a todos os membros da Casa Legislativa; aos músicos da Orquestra Sinfônica de Sorocaba, da Banda Sinfônica do Exército e do Coro da FADI que se apresentaram na cerimônia; aos professores, amigos e colegas de trabalho; e aos pais, Luiz Carlos e Sônia, “que trabalharam durante toda a vida para oferecer aos filhos condições que eles próprios não tiveram”.

Um agradecimento especial foi dedicado às avós Teresa e Natália:

“Minha avó Natália enxergou em mim algo que nem eu mesmo conseguia ver, sempre me dizendo ‘sim’ e me dando confiança. Se hoje estou aqui, é graças a ela e à minha mãe.”

Encerrou agradecendo a Deus e a Nossa Senhora da Conceição Aparecida por sua proteção.

“Uma das maiores lições que aprendi é que ninguém constrói nada sozinho.”


A concessão do Título de Cidadão Sorocabano ao Maestro Eduardo Pereira reconhece uma trajetória construída pela música, pela educação e pelo compromisso com a democratização do acesso à cultura – valores que a FADI compartilha e celebra.

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